A graça do jogo é ver a cara dos adversários

Platéia animada e PCs poderosos fazem diferença em relação ao divertimento caseiro


( O Estado de São Paulo )

Leister/AE Francisco (E), 5 anos, e Felipe, 17 anos, vão com a mãe Lia jogar em rede

 

 

 

 

 


O ambiente silencioso é quebrado por gritos e risadas, quando algum jogador lamenta ou comemora. Na visita do Informática a uma LAN House, um homem de gravata desafrouxada de repente se levantou para fazer uma reclamação enérgica com o funcionário: estava protestando contra um jogador TK (Team Killer).

Nas LAN Houses não se julga pela aparência, mas pela atitude no jogo. "O ser mais odiado é o TK, que mata os próprios parceiros do time", diz o estudante Theo Onishi, 18 anos, mais conhecido como AinBot (mira automática). "As pessoas são conhecidas pelo nick (apelido)."

Fora do jogo, pessoas de diversas "tribos" se respeitam, garante Onishi, que costuma jogar na LAN House. Além dos adolescentes, que são a maioria, engravatados, médicos, crianças e senhoras costumam visitar essas casas. Os proprietários da maioria das casas procuram estabelecer regras para garantir um clima "familiar" - não vendem bebidas alcóolicas, proíbem fumar e restrigem horários a menores.

A dona de casa Lia Mara Leite, 44 anos, afirma que o ambiente da LAN House que freqüenta é muito bom. Ela costuma jogar com seus filhos Pituco e Tutuco, apelido nos games de Francisco Pereira Barbosa Neto, 5 anos, e Felipe Leite Matos, 17 anos. "Deixo meus filhos aqui e fico tranqüila." Mas ela evita que Francisco jogue games violentos e monitora o tempo em que os filhos permanecem jogando. "É uma brincadeira que vicia", acredita. Apenas uma vez ela abriu exceção e permitiu que Felipe jogasse 14 horas, sem parar. "Os amigos iam passar a madrugada jogando e dei permissão para que ele ficasse também."

Marcel Ueno, 18 anos, usa a palavra "vício" para descrever sua paixão por jogos. Não raramente, ele só sai da casa quando o dia já amanheceu. Na semana passada, ele bateu o seu recorde: 14 horas jogando.

As LAN Houses também funcionam como ponto de encontro. O estudante Dae Hong Jun, 15 anos, costuma sair da escola e ir à Lan House.

Fica mais de três horas no local, mas não todo esse tempo jogando. "Vou também para encontrar meus amigos", conta.

O estudante Adriano Aguiar de San Vicente, de apelido Landrake,17 anos, freqüenta três vezes por semana. "Vou na hora do almoço com meus amigos, fico lá cerca de uma hora por dia e já tenho vários bônus para pagar menos", comemora. Adriano também faz parte de um clã, grupo de jogadores que treina para competir.

A potência dos computadores das LAN Houses é um dos fatores que tornam o jogo em rede emocionante, com a rapidez. "Meu micro é ruim, por isso preciso vir aqui e gastar dinheiro", disse Ueno, que sonha em montar uma rede para jogar com os amigos em casa.

Apesar de ter conexão à Web de banda larga, O estudante Carlos Leandro Guarnelli, 16 anos, acha que jogar pela Internet não é tão bom como jogar em rede. "O legal é ver a reação do adversário", disse. Com a vida corrida, dividida entre o trabalho e estudo, ele sempre que acha tempo corre para alguma casa de jogo em rede.

Quem não é fera nos jogos não precisa se intimidar. Na quarta-feira, o analista programador Rodrigo Ferreira, 24 anos, resolveu conhecer  depois do trabalho. Apesar de ser iniciante, não sentiu um clima hostil a sua presença. "Os funcionários e jogadores me ajudaram", conta. Depois da visita, Ferreira decidiu trocar o fliperama pelo jogo em rede. "Sai mais barato e tem um ambiente agradável", disse. (C.G. e K.A.)