
Febre de lan houses agita o mercado
PRISCILA NÉRI
A moda pegou. De dois anos para cá, o Brasil
assiste a um boom de lan houses. Segundo estimativas,
hoje há entre 3 mil e 4 mil lan houses no País.
Até meados de 2002, eram 700, o que indica uma
expansão de quase 400% em apenas um ano. O segmento
emprega algo em torno de 12 mil pessoas e movimenta
quase R$ 500 milhões por ano.
Existe até uma consultoria, a LanHousing, especializada
em ajudar as pessoas a abrirem lan houses. A consultoria
oferece estudos de mercado, indica os melhores bairros,
vende o equipamento necessário e simula o investimento
e o retorno que pode ser obtido em um novo empreendimento
deste tipo. Fundada há dois anos por quatro jovens,
a LanHousing tem hoje um faturamento de até R$
120 mil por mês. "Temos clientes em várias
partes do País e há uma procura muito
grande por este serviço", diz Ioram Cejkinski,
de 23 anos, que é um dos sócios.
Segundo Cejkinski, as lan houses brasileiras nasceram
em bairros de alto poder aquisitivo, mas têm grande
potencial nas regiões com população
de classe C. "Tivemos um excelente retorno em bairros
mais pobres." A hora de jogo custa entre R$ 2,50
e R$ 4,00.
De acordo com a LanHousing, a indústria de games
(jogos eletrônicos) no mundo movimenta US$ 20
bilhões por ano, incluindo desde a criação
de novas tecnologias até a venda e o faturamento
das lan houses. "É o dobro do que movimenta
a indústria cinematográfica, que gerou
US$ 10 bilhões em 2003."
Na Coréia do Sul, o berço das lan houses,
o governo fez um estudo para descobrir o impacto da
nova tendência na sociedade. A pesquisa concluiu
que as lan houses ajudavam a reduzir a exclusão
digital, colocando os jovens em contato com a internet.
"Como as lan houses precisam de banda larga, a
rede de fibra ótica cresceu em todo o país,
facilitando o acesso a internet", explica Chun.
Desde então o governo sul-coreano passou a oferecer
incentivos para a abertura de novas casas. Entre 1994
e 2000, 22 mil novas lojas abriram por lá. O
boom trouxe um novo dinamismo à economia, gerando
empregos e fazendo surgir até cursos superiores
para desenvolvedores de games. Estes,msão até
mesmo disspensados do serviço militar obrigatório.
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