Síssi Pucciariello
Semelhante
à explosão das lojas de R$ 1,99, outro tipo
de comércio ganhou força nos últimos dois
anos em Santos. As casas de jogos de computadores
em rede, conhecidas como lan houses, multiplicaram-se,
mudando o cenário das ruas e avenidas da
Cidade. Algumas apostaram nas fachadas com
cores fortes para chamar a atenção, outras
colocaram vidros escuros para dar a garantia
de mais segurança. Com tantas opções, quem
sai ganhando é o jogador.
Estimativas
da Associação das Lan Houses da Baixada
Santista (ALHBS) mostram que existem em
Santos, hoje, cerca de 20 casas desse tipo.
A expansão ocorreu a partir de meados do
ano passado, acompanhando a tendência no
País. O presidente da ALHBS, José Prudêncio
Netto, diz que atualmente “uma lan house
nova aparece a cada dia”. A maioria delas
está concentrada nos bairros do Boqueirão
e do Gonzaga. Em um trecho da Avenida Washington
Luiz, por exemplo, há uma em frente a outra.
“Quando abri,
cobrava R$ 5,00 pela hora jogada. Depois,
baixei para R$ 3,50, até chegar em R$ 1,99”,
comenta Luciano Campos, um dos donos da
The@Game. Luciano viu esse crescimento de
perto, já que sua loja, aberta em outubro
de 2000, é considerada a pioneira. Para
lidar com a concorrência, ele diz que reformou
o estabelecimento e fez upgrade nos computadores.
Além do preço
mais barato, em média R$ 2,50 pela hora,
as lan houses foram obrigadas a oferecer
serviços e jogos diferenciados para atrair
não só os fãs dos games multiplayers -onde
as partidas são disputadas entre vários
usuários. Nesses locais, é possível também
acessar a internet, fazer trabalhos escolares,
aniversários e eventos. Há ainda espaço
para campeonatos e jogadores de Playstation
2, RPG e do tão famoso Yu-Gi-Oh.
“O Counter-Strike
chega a ocupar 90% do tempo jogado, mas
os clientes estão descobrindo outros jogos,
como Earths Special Forces, um mod do Half-Life
com os personagens do DragonBallZ, e o BattleField,
que tem a mesma jogabilidade do Counter,
mas com um ambiente com tanques, aviões
e helicópteros”, explica Luis Fernando Vallejo,
um dos sócios da Let’s Play, inaugurada
no mês passado.
Amizade
e inclusão
As lan houses
viraram ponto de encontro entre jovens e
até entre pessoas de mais idade. De manhã
e à tarde, predomina a faixa etária dos
6 aos 17 anos. Já à noite, o público é mais
velho. De madrugada, quem quiser pode formar
um grupo e jogar até o amanhecer. É que
algumas casas funcionam das 9 às 6 horas
e outras promovem o tradicional corujão.
“Em tempos
de violência e criminalidade, essas casas
se tornaram um espaço onde os frequentadores
conseguem encontrar segurança, conforto
e novas amizades. Outro ponto positivo é
que indiretamente elas aproximam as pessoas
da era digital”, avalia Marcio Demonte,
dono da Sniper.
Jogo
x escola
Para os pais
mais inseguros e que acham que o filho “bola
a aula” para jogar, há algumas casas que
incentivam o desempenho escolar e dão horas
grátis aos estudantes que têm melhores notas.
Segundo Jean Andreadis, proprietário da
Monkey Santos, é comum os pais ligarem perguntando
se o filho está jogando em horário escolar.
“Há alguns que nos pedem para ligar antes
de liberar o acesso à máquina”.
Nessas situações,
Jean orienta que uma boa conversa é sempre
melhor do que criar mecanismos de controle.
Essa também é a opinião do empresário Paulo
Sawaya, pai de Thiago, de 14 anos. “Essa
molecada é viciada em videogame, não tem
jeito”. Nesse caso, pai e filho fizeram
um acordo. O adolescente só vai à lan house
nos finais de semana: “Fico quase sete horas
jogando. Eu me distraio e encontro os amigos
também”.
Para
empreendedores
No endereço
(http://www.lanhousing./),
é possível simular qual investimento inicial
para abrir o negócio e também o retorno.
Em uma lan, com 20 máquinas, monitores de
17 polegadas e tela plana, e processadores
Atlon XP 2000, por exemplo, o empreendedor
terá que gastar R$ 76 mil, não inclusos
gastos mensais, como aluguel e pessoal.
“O tempo de retorno é de 9 meses”, garante
Ioram Cejkinski, consultor da Lanhousing.
O conceito
de lan house chegou ao Brasil em 1998, pelo
empresário Sunami Chun, fundador de uma
das redes de lan houses mais conhecidas,
a Monkey. Desde então, o setor passou a
ser o negócio do momento. Segundo Ioram,
atualmente existem cerca de 1.200 no País,
300 só no estado de São Paulo. Na Coréia,
são 22 mil e os EUA têm aproximadamente
15 mil.
O que
é?
Lan houses
são lojas com dezenas de micros ligados
em rede. Os jogos são conhecidos como multiplayers,
pois admitem que as partidas sejam disputadas
entre várias pessoas. Os usuários têm cadastro,
a hora de entrada para jogar e de saída
é registrada. Jogadores formam equipes,
chamadas de clãs, e participam de campeonatos.