LAN Houses pipocam pelo Brasil tal como franquias do McDonald's
por Julio Cesar Ibelli Mello (jcim13@ig.com.br)

Não fosse pelo sumiço repentino do meu irmão na manhã de um feriado, talvez eu nunca teria entrado em contato com o fenômeno das LAN Houses. Ele já tinha me falado anteriormente, todo entusiasmado, sobre um lugar com jogos de computador em rede próximo de casa. As horas passavam e nada dele chegar; não sobrou outra alternativa para mim a não ser sair a sua busca. Não pensei duas vezes em ir procurar primeiro no lugar que ele tinha comentado.

Quando cheguei na tal LAN House levei o primeiro baque: num espaço onde caberiam confortavelmente umas 20 pessoas, deveria ter o triplo de gente. De gente não, de pivetes. E olha que ainda tinha o piso superior... Acabei descobrindo que os menores de idade são os principais freqüentadores desse tipo de estabelecimento nos períodos da manhã e da tarde. À noite e por toda a madrugada, os marmanjos reforçam a idéia de que sim, video-game também é coisa de adulto, e lotam as LAN Houses. A esmagadora maioria dos jogadores é do sexo masculino, crianças ou adultos. As mulheres reclamam da pouca assiduidade de suas semelhantes nesses locais, mas uma ou outra sempre está lá, firme e forte, na frente do computador.

LAN House já virou sinônimo de centro de entretenimento, ponto de encontro, point. Pra quem não curte muito jogar, pra quem ainda não caiu na tentação do show de realismo e de bala voando pra todo lado que é Counter Strike, o jogo preferido de 9 entre 10 casas de jogo, pode-se aproveitar os confortáveis e espaçosos sofás que existem na maioria das LAN Houses pra dar uma esticada no esqueleto, pedir uma bebida e curtir com os amigos ao som de uma música transada.

Esses locais estão mudando a rotina das pessoas. Nas noites de sábado em Juiz de Fora por exemplo, tem fila na porta das LAN's. Pra quem vara a noite jogando, tem café da manhã quando o novo dia nasce. Em Recife as crianças não querem mais saber de viajar para fora da cidade, tudo para não perder um minuto sequer em frente às máquinas. No Rio de Janeiro, um caso curioso: uma LAN House não permite a entrada de crianças com uniforme escolar, tudo para se livrar da acusação de estar promovendo uma fuga em massa dos alunos para ir jogar.

Tais estabelecimentos estão gerando lucro de até 700% para seus donos em alguns casos. Franquias são abertas em todo país. Qualquer portinha de comércio pode abrigar uma LAN. Os computadores disponíveis são todos de última geração, ou perto disso, ligados um ao outro por uma rede rápida - LAN - semelhante à internet de banda larga. Os usuários têm um cadastro, a hora em que entram para jogar e saem é registrada. Jogadores formam equipes, os melhores participam de campeonatos – alguns no exterior, inclusive.

 

Noticia retirada no http://www.rabisco.com.br